segunda-feira, 31 de agosto de 2015
poema para os dias das lembranças ruins.
sábado, 29 de agosto de 2015
se é pra morrer.
CXLIV, 144.
Eu tenho que me inspiram noite e dia:
Meu anjo bom é um homem puro e vero;
O mau, uma mulher de tez sombria.
Para levar a tentação a cabo,
O feminino atrai meu anjo e vive
A querer transformá-lo num diabo,
Tentando-lhe a pureza com a lascívia.
Se há de meu anjo corromper-se em demo
Suspeito apenas, sem dizer que seja;
Mas longe ambos de mim, e amigos, temo
Que o anjo no fogo já do outro esteja.
Nunca sabê-lo, embora desconfie,
Até que o mau meu anjo contagie.
6. Desesperada, mente.
Eu também, eu nunca te amei.
Mas o que importa a verdade
quanto esta sede quase mata a gente
e nada mais que uma ilusão ardente
pode saciar a vontade
de ter amor, mesmo fingido, mesmo molhado?
Verdade, eu nunca te amei.
Você também, nunca me amou.
Então diz que me ama. Desesperada, mente.
Te faço confissões alucinadas
e tenho febre ao teu lado do telefone
esperando tuas mentiras descaradas.
Sente, pouco importa a falsidade
e mente, mente, meu amor, espatifada, mente.
É tudo verdade, é tudo mentira.
Vamos voar num tapete voador
de olhos fechados, de mãos enlaçadas
como se houvesse amor, esquecer
que você não me ama
e eu também, eu nunca te amei,
meu amor, minha dor.
Desesperada, mente
mente, mente, meu amor
Alucinada, mente.
5.
tenho a impressão que você
vai entrar por aquela
porta giratória
acompanhado de qualquer pessoa
homem, mulher, não importa
tão pouco especial,
meio bêbado, meio barbado
no fim do domingo
numa mesa ao fundo
do bar, ao som do reggae
acompanhado de minha amiga
tão pouco especiais
no fundo do bar
banal ao som de Joplin
estarei na décima quinta
garrafa de vinho
e o nada, nada mais me resta
a não ser
estar no fundo do bar
e eu estarei lá
à espera de alguém
que não estará lá.
num fundo de bar
num fim de noite
na curva do domingo
nós três, nós mil
tão pouco especiais
jogados no fundo de qualquer coisa
à espera de qualquer coisa
muito especial
entrando por aquela porta giratória.
18.
Mais, mais leve, tangível.
Por te querer, apenas?!
Por tudo isso me tornar assim
escuro, remeto, pesado
gerando em mim mesmo
o que não queria em ti
sem compreender agora
a tarde de silêncios
e moscas sobre os cães
da casa a que não pertencemos
nem pertenceremos nunca
e te afundas em porões sem chaves
enquanto busco o sol
e me pergunto então
o que queria, afinal.
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
nomes .2. almas ou tulipas?
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
11.
maria clara:
me chama qualquer hora
diz como eu te encontro
me leva daqui
perdoa alguma coisa
é que são tantas coisas
dizem que os morangos são eternos
quem disse
suicidou-se no último carnaval
haveria talvez ao longe
uma escola de samba cantando oh jardineira
quem saberá
o dia ficou cinza
sinto falta de você
a cidade mete medo
o abajur da sala queimou
um perfil de nefertiti
você nunca saberá
você nunca mais telefonará
interrogação interrogação interrogação
interrogation mark
singapura
isso é muita cocaína
quero ir embora daqui
quem sabe eu te encontro
não telefonarei
I promise
Sonhei com você
mas só conto se você ligar
você não ligará
comprei uma garrafa de conhaque
mas não consegui sequer beber demais
também não havia motivo
ou sim
depende do ponto de vista
preciso de você
são três horas da tarde
sexta-feira
vinte e quatro de abril de mil novecentos e oitenta e um
não me queria mal
ex-noiva de reagan processada por estelionato
em são paulo brazil
o que foi que aconteceu
alguma coisa partiu
tenho trinta e dois anos
é difícil compreender
isso
y otras cositas más
você tem vinte e quatro anos
e um metro e cinqüenta e dois de altura
eu tenho um metro e oitenta e dois
há vários descompassos
primeiras vezes
ah
primeiras vezes
o primeiro bode de fumo que amarrei
foi no alto da tijuca
faz muito tempo
depois vieram outros bodes
outras drogas
meu terçol no olho direito melhorou
agora estou com um no olho esquerdo
do meu lado tem um pé de guiné
dentro de uma lata de brancol
cola branca para azulejos
são três e pouco da tarde
manda um fonograma
ou qualquer coisa assim
preciso de você
você já não gosta mais de mim
que pena que pena
amanhã é sábado
Caio Fernando Abreu.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
agosto 13.
Lavava o rosto e organizava as palavras.
Era como se aquele perfume com cheiro de groselha preta e baunilha, que ele me deu, chegasse novamente às minhas narinas. Corri, tratei de respirar. O sábado era de agosto e o céu me salpicava algumas estrelas.
Renata Pires Rocha
terça-feira, 11 de agosto de 2015
soneto 13.
Tens a vida apenas enquanto ela pertence a ti.Deverias te preparar para um fim tão próximo,E a outro emprestar o teu doce semblante.
Não tiver um fim, então, viverias
Novamente após a tua morte,
Quando a tua doce prole ostentasse a tua doce forma.
Cuja economia em honra se poderia prevenir
Contra o vento impiedoso dos dias frios,
Ó, quanto desperdício! Meu caro, sabes
Que tiveste um pai: deixa o teu filho dizer o mesmo.
Assim, se a beleza que deténs em vida
Quem poderia ruir uma casa assim tão bela,
E a estéril fúria do eterno estupor da morte?
soneto 8.
Doçuras não se atacam; a alegria se rejubila;
Por que amas aquilo que não recebes efusivo,
Ou com prazer aceitas teu incômodo?
Bem ajustados ofendem o teu ouvido,
Docemente te repreendem, tu que confundes
As partes do que deverias suportar.
São tangidas, de cada vez, mutuamente;
Assemelhando-se a pai e filho, e à feliz mãe,
Cujo canto inaudível, sendo muitos, soa como um,
Assim cantando para ti: 'De nada valerá a tua solidão'.
sábado, 8 de agosto de 2015
.qualquer coisa.
seu alicerce.
nem as garotas jovens
nem as garotas velhas
nem os homens jovens
nem os homens velhos
nem aqueles no meio-termo
nenhum deles,
não deixe as pessoas serem
seu alicerce.
construa na areia
construa no lixão
construa na fossa
construa nos túmulos
construa na água,
mas não construa nas
pessoas.
a pior aposta que você pode fazer.
qualquer outro,
qualquer
mas não nas pessoas,
massas
sem cabeça, sem coração
emporcalhando os
séculos,
os dias,
as noites,
as cidades, os municípios,
as nações,
a Terra,
a estratosfera,
emporcalhando a
luz,
emporcalhando todas
as chances,
aqui,
emporcalhando completamente
tudo
agora
e amanhã.
comparada às pessoas,
é um alicerce melhor a se procurar.
domingo, 2 de agosto de 2015
.pra machucar os corações: mês do desgosto.
.tudo se refaz, menos os nomes
comecei a escrever com a caneta falhando. vai ver até ela quis testar o meu ímpeto. peguei a outra caneta. escrevi um tempo atrás um poema s...
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comecei a escrever com a caneta falhando. vai ver até ela quis testar o meu ímpeto. peguei a outra caneta. escrevi um tempo atrás um poema s...
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esses cacos de vidro espalhados pela casa são tantos certamente não podem ser de um copo de vidro ou um prato de vidro ou de um ...



