terça-feira, 24 de novembro de 2015

um abraço para Manoel.

Dizem que entre nós
há oceanos e terras com peso de distância.
Talvez. Quem sabe de certezas não é o poeta.
O mundo que é nosso
é sempre tão pequeno e tão infindo
que só cabe em olhar de menino.

Contra essa distância
tu me deste uma sabedora desgeografia
e engravidando palavra africana
tornei-me tão vizinho
que ganhei intimidades
com a barriga do teu chão brasileiro.

E é sempre o mesmo chão,
a mesma poeira nos versos,
a mesma peneira separando os grãos,
a mesma infância nos devolvendo a palavra
a mesma palavra devolvendo a infância.

E assim,
sem lonjura,
na mesma água
riscaremos a palavra
que incendeia a nuvem.



Mia Couto

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

já passou.

Nada
Não :
Foi só um desejo
De tomar cicuta
Que o andar
Pela rua
E o perfume
Da murta
Desfizeram

Zélia Guardiano