domingo, 17 de fevereiro de 2013

1.

"caminhante, passou por mim em passos lentos 
com uma blusa que jamais o vi usar e um cavanhaque 
ele que tinha o rosto imberbe e cujas blusas eu lavava todas
cruzou por mim na calçada e me olhou com olhos novos 
da mesma cor de antes mas eram olhos outros 
que viram virgindades durante o nosso tempo apartado 
era ele mas era outro, e eu era a mesma, e outra 
e a distância entre nós era bem mais longa que aqueles passos curtos 
e o tempo entre nós era infinito no nosso desconhecimento mútuo 
ele que tanto amei e ele a mim, que trocamos beijos mais que íntimos 
suas cicatrizes pelo corpo que lambi, e ele aos meus seios 
ele que não me foi secreto por anos e eu por ele igualmente traduzida 
caminhante, hoje passou por mim como se não houvesse passado 
ele, em passos lentos, fez um sinal educado com a cabeça eu, com meio-sorriso, fiz que não tinha importância. "


Martha Medeiros, Cartas extraviadas e outros poemas

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

uma pena elas não estarem no mesmo fuso horário..


e é como vai acontecer.


Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio (…)
Caio Fernando Abreu

e como vive?


Cansei de ser gente. Dá muito trabalho marcar presença. Juntar passado, presente e futuro. Seria mais fácil se a gente dissesse o que quer, como, de que jeito. Mas não. Gente nunca faz isso. Gente como eu espera que o outro saiba-descubra-perceba. Gente como você quer se sentir especial. Por que a gente quer a todo instante saber que é importante? Cansei de ser gente. Sinto que os dias passam, a pele envelhece, o coração acumula aprendizado, os pés ficam exaustos no final do dia, a vida não para de caminhar para aquele lado. No meio disso, eu. Me perdendo, achando, sobrevivendo. Porque em alguns dias a gente só sobrevive.
Clarissa Corrêa.   

Qualquer ideia que te agrade,
Por isso mesmo... é tua!
O autor nada mais fez que vestir a verdade
Que dentro em ti se achava inteiramente nua...

Mário Quintana

domingo, 10 de fevereiro de 2013


Contudo, todos nós precisamos de fuga. As horas são longas e têm de ser preenchidas de algum modo até nossa morte. E simplesmente não há muita glória e sensação para ajudar. Tudo logo se torna chato e mortal. Acordamos pela manhã, jogamos o pé para fora da cama, colocamo-los no chão e pensamos ‘ah, merda, e agora?’
Charles Bukowski

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Fico besta com quem perde a compostura por não gostar de algo ou alguém: tão mais simples desconectar. Não ouça, não leia, não prestigie. Dê atenção ao que tem sintonia com você. E toque sua vida, sem agredir.
Martha Medeiros

e você, bom.



Vou parar de reclamar da vida. Não adianta emburrar, se queixar, ficar com rugas antes da hora. A coisa é bem simples: existem coisas que a gente pode fazer e outras que a gente não pode. O que depender de mim eu faço. O que depender dos outros, bem, daí é com os outros. E isso inclui você…
Clarissa Corrêa.