sábado, 30 de abril de 2011

Querida mãe, querido pai,

Não sei mais conviver com as pessoas. Tenho medo de uma casa cheia de pais e mães e irmãos e sobrinhos e cunhados e cunhadas. Tenho vivido tão só durante tantos – quase 40 – anos. Devo estar acostumado.

Dormir 24 horas foi a maneira mais delicada que encontrei de não perturbar o equilíbrio de vocês – que é muito delicado. E também de não perturbar o meu próprio equilíbrio – que é tão ou mais delicado. Estou me transformando aos poucos num ser humano meio viciado em solidão. E que só sabe escrever. Não sei mais falar, abraçar, dar beijos, dizer coisas aparentemente simples como “eu gosto de você”. Gosto de mim. Acho que é o destino dos escritores. E tenho pensado que, mais do que qualquer outra coisa, sou um escritor. Uma pessoa que escreve sobre a vida – como quem olha de uma janela – mas não consegue vivê-la.

Amo vocês como quem escreve para uma ficção: sem conseguir dizer nem mostrar isso. O que sobra é o áspero do gesto, a secura da palavra. Por trás disso, há muito amor. Amor louco – todas as pessoas são loucas, inclusive nós; amor encabulado – nós, da fronteira com a Argentina, somos especialmente encabulados. Mas amor de verdade. Perdoem o silêncio, o sono, a rispidez, a solidão. Está ficando tarde, e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto.

Amo vocês, seu filho,
Caio

terça-feira, 26 de abril de 2011

ai, o amor, tão antigo e tão renovado amor.

O Amor Por Entre O Verde - Vinícius de Moraes


Não é sem frequência que, à tarde, chegando à janela, eu vejo um casalzinho de brotos que vem namorar sobre a pequenina ponte de balaustrada branca que há no parque. Ela é uma menina de uns treze anos, o corpo elástico metido num blue jeans e um suéter folgadão, os cabelos puxados para trás num rabinho-de- cavalo que está sempre a balançar para todos os lados; ele, um garoto de, no máximo, dezesseis, esguio, com pastas de cabelo a lhe tombar sobre a testa e um ar de quem descobriu a fórmula da vida.

Uma coisa eu lhes asseguro: eles são lindos e ficam montados um em frente ao outro, no corrimão da colunata, os joelhos a se tocarem, os rostos a se buscarem a todo momento para pequenos segredos, pequenos carinhos, pequenos beijos. São, na sua extrema juventude, a coisa mais antiga que há no parque, incluindo velhas árvores que por ali espapaçam sua verde sombra; e as momices e brincadeiras que se fazem daria para escrever todo um tratado sobre a arqueologia do amor, pois têm uma tal ancestralidade que nunca se há de saber a quantos milênios remontam.

Eu os observo por um minuto apenas para não perturbar-lhes os jogos de mão e misteriosos brinquedos mímicos com que se entretêm, pois suspeito de que sabem de tudo o que se passa à sua volta. Às vezes, para descansar da posição, encaixam-se os pescoços e repousam os rostos um sobre o ombro do outro, como dois cavalinhos carinhosos, e eu vejo então os olhos da menina percorrerem vagarosamente as coisas em torno, numa aceitação dos homens, das coisas e da natureza, enquanto os do rapaz mantêm-se fixos, como a prescrutar desígnios. Depois voltam à posição inicial e se olham nos olhos, e ela afasta com a mão os cabelos de sobre a fronte do namorado, para vê-lo melhor e sente-se que eles se amam e dão suspiros de cortar o coração. De repente o menino parte para uma brutalidade qualquer, torce-lhe o pulso até ela dizer-lhe o que ele quer ouvir, e ela agarra-o pelos cabelos, e termina tudo, quando nao há passantes, num longo e meticuloso beijo.

- Que será – pergunto-me eu em vão – dessas duas crianças que tão cedo começam a praticar os ritos do amor? Prosseguirão se amando, ou de súbito, na sua jovem incontinência, procurarão o contato de outras bocas, de outras mãos, de outros ombros? Quem sabe se amanhã quando eu chegar à janela, não verei um rapazinho moreno em lugar do louro ou uma menina com a cabeleira solta em lugar dessa com cabelos presos?

– E se prosseguirem se amando – pergunto-me novamente em vão – será que um dia se casarão e serão felizes? Quando, satisfeita a sua jovem sexualidade, se olharem nos olhos, será que correrão um para o outro e se darão um grande abraço de ternura? Ou será que se desviarão o olhar, para pensar cada um consigo mesmo que ele não era exatamente aquilo que ela pensava e ela era menos bonita ou inteligente do que ele a tinha imaginado?

É um tal milagre encontrar, nesse infinito labirinto de desenganos amorosos, o ser verdadeiramente amado… Esqueço o casalzinho no parque para perder-me por um momento na observação triste, mas fria, desse estranho baile de desencontros, em que frequentemente aquela que deveria ser daquele acaba por bailar com outro porque o esperado nunca chega; e este, no entanto, passou por ela sem que ela o soubesse, suas mãos sem querer se tocaram, eles olharam-se nos olhos por um instante e nâo se reconheceram.

E é então que esqueço tudo e vou olhar nos olhos de minha bem-amada como se nunca a tivesse visto antes. É ela, Deus do céu, é ela! Como a encontrei, não sei. Como chegou até aqui, não vi. Mas é ela, eu sei que é ela porque há um rastro de luz quando ela passa; e quando ela me abre os braços eu me crucifico neles banhado em lágrimas de ternura; e sei que mataria friamente quem quer que lhe causasse dano; e gostaríamos que morrêssemos juntos e fôssemos enterrados de mãos dadas, e nossos olhos indecomponíveis ficassem para sempre abertos, mirando muito além das estrelas.

Olha, a página do google hoje!

HUADHASUHDSAUHDSAUHDSAUDHSUDHAUDSADH' ôo gente, tá bem bonitinho(;

sexta-feira, 22 de abril de 2011

"Já que eu não te tenho por perto, eu vou tomar um sorvete para alegrar o meu dia!"


Tiê

quarta-feira, 20 de abril de 2011

terça-feira, 19 de abril de 2011

De baixo pra cima.

De baixo pra cima

De cima pra baixo

Nem sei o que faço

Nem sei o que digo

Sei que com amor realizo

Sonhos e poesias

Dias e alegrias

Em ti me espelho

Espelho meu

Nem sempre sou eu

Acho que isso é errado

Mas se tudo fosse certo

Tudo seria tão sem graça

Quero ver o proibido e o imperfeito

Eles são quem dão jeito

Diria até que o errado é quem tá certo

O que será que é perfeito?


(Flora de Paula - há um tempinho considerável)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

tão "boa", apenas isso: "boa". tudo isso!


minha vida tá assim... tão "boa".
queria mesmo é que ela estivesse assim... "tão boa".
Se ela tivesse boa, intensamente (tão) boa seria muuuuito bom.
Se ela tivesse boa, tão boa, intensamente boa, tenha certeza que seria como nos filmes: quando o filme mais te envolve, quando acontecem muitas coisas diversas, quando temos alguns problemas, quando temos
AQUELE problema gostoso de - talvez - sofrer por alguém, por amor, por paixão à alguém.. é aí que o filme fica bom. Aí que o filme fica tãao bom.
mas o filme agora está monótono. E está somente : tão "bom".

agora vendo pelo lado bom, pelo menos está boa minha vida. e isso me faz feliz! um feliz tão certo, tão certo, que se fez monótono. tá faltando
AQUELE problema na minha vida.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Pessoas que pensam que a depressão é uma escolha, pegue um segundo do seu tempo para pensar como é a sensação de acordar e não ter a força emocional para enfrentar as pessoas. Pensar que o tempo é só de passagem sem motivo real. Se sentir tão sozinha mesmo quando você está sentada numa sala cheia de pessoas. Ter de colocar uma expressão em seu rosto, que não é aquela que você está sentindo e esconder seus sentimentos, porque ninguém se importaria de qualquer maneira. Perder amigos, porque você não consegue encontrar a força para sair e você não pode estar fisicamente feliz. Chorar até dormir, esperando que você não irá acordar, até que então quando você acorda e está exausta da noite anterior e tudo começa outra vez. Você tenta esconder seus sentimentos esperando que ninguém notasse, e se você deixar escorregar tudo aquilo que tem guardado com você.. todos acabam te julgando. Agora diga-me por que alguém iria escolher isso?

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Inspirada no assunto que a Flor puxou..:

"Só que homossexualidade não existe, nunca existiu. Existe sexualidade - voltada para um objeto de desejo. Que pode ou não ter genitália igual, isso é detalhe. Mas não determina maior ou menor grau de moral ou integridade."

- Caio Fernando Abreu

A: Então não o ama mais?

B: Amo. Só guardei isso num cofre. E tranquei. E esqueci a senha. Não porque quis. Foi preciso.



Caio Fernando Abreu

terça-feira, 12 de abril de 2011

respeito e/é amor


Em São Paulo, agressões físicas acontecem muitas vezes por preconceito a homossexuais; agressão física numa parada de ônibus: ummorador de rua esfaqueou pessoas.

Meu deus, o que é isso?
Será qua não tem como reverter esse quadro ou talvez torná-lo menos horrível, pois,ao meu ver, assim não dá!!!
Como é que pode?
Tô chegando cada vez mais à conclusão de que,quando se fala de nossas atitudes, é mais difícil estar presente as coisas mais simples:
ao tomarmos algumas medidas,precisamos de coisas fundamentais como AMOR, RESPEITO, DIGNIDADE, HUMILDADE, etc.
Mas nessa situação de preconceito,discriminação e agressão aos homossexuais NEM O RESPEITO EXISTE! Poxa vida, se você acredita que isso é uma aberração da natureza, que o homem foi feito pra uma mulher,ou algo parecido, no mínimo continue acreditando!
Se puder analisar suas ideias,seus conceitos de amor, de união, dessas coisas boas e RESPEITAR as pessoas que pensam diferente de você faça isso!
Não dói...tenho certeza.
Um abraço aos homossexuais,sejam felizes como nós somos! Lutemos pela liberdade de opção sexual. ora bolas!

O que faço agora?

É impressionante, acabei de completar 62 páginas em um arquivo que eu tenho no meu computador só de textos e citações.. Cada texto que eu vejo na internet e me identifico pelo menos um pouco eu coloco nesse arquivo e penso " vai ser muito legal colocar no blog, vou postar quando estiver em tal momento da minha vida", e pronto! Ele fica lá, guardadinho para quando o momento chegar! Mas.. eu não tenho textos para postar agora! Nem meus, nem de outro autor. Porque.. eu nunca tinha me imaginado na situação que estou! O que faço agora? Não sei bem nem em que situação estou!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

“Não comia, não dormia, não ria, não tinha a menor idéia do que fazer da vida. Tentei terapia, ioga, curso de artes plásticas, budismo, cartomante, centro espírita. Nada adiantava. Eu não conseguia encontrar uma razão para viver ou um alento para sobreviver. A única coisa que eu fazia era chorar o dia todo porque o tal do garoto perfeito não queria saber de mim.”

Tati Bernardi

terça-feira, 5 de abril de 2011

outro de hoje

o que será que falta?
tem alguma coisa faltando?
acho que faltam coisas,pois outras coisas estão presentes em demasia.
mas descobrí-las é prova de fogo. E põe fogo!
prova de fogo, água, terra, ar e de outros sentidos e sentimentos para descobrir o que existe em mim.
duas coisas são fáceis de perceber:
o AMOR
e um problema - querer sempre descobrir o interior dos outros antes do meu.
como é que pode?!? Assim, meu corpo e alma é um amante que anseia por pessoas, anseia por rostos, pernas, cotovelos diferentes dos meus.

tenho um desejo, uma vontade de palhaço. de maquiar o rosto e modelar minha face com um nariz vermelho para completar a fantasia para trazer alegria a quem passar, a quem ouvir e ver. isso até parece bonito, legal, divertido. mas e a máscara? sim, porque se vestir de palhaço é ter uma máscara, mas de felicidade. e aí precisarei de maaaais uma máscara. o melhor é imaginar que é uma máscara que procura ser das mais verdadeiras possíveis, trazer e fazer a alegria sincera com gestos simples, mas ainda com a máscara.
Bom vai ser se eu passar pela prova de fogo e descobrir dentro de mim a alegria que está na máscara de palhaço e aí terei certeza de que vai ser uma máscara verdadeira. a máscara se transformará em um estado emocional (alegre) e uma atitude comparável apenas a coisas boas (ser palhaço) .
Será que é isso que falta?

o de hoje


hoje a habilidade de minhas mãos se confundiram com a confusão de meus movimentos.


e pra não perder o costume, um poeminha (poemãaao, nesse caso) pra nós:

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

(Cecília Meireles)