terça-feira, 25 de dezembro de 2012

E quando vou ver, lá estou eu mais uma vez, dobrando esquinas, cruzando ruas, fazendo curvas, dando setas, entrando em lugares, me despedindo, saindo do banho, dando a descarga, abrindo a geladeira, mudando o canal. Sempre de pé. Absolutamente triste e de pé. Eu e minha tristeza em pé. (…) E eu virei um muro alto feito de pedras cheias de pontas. Tudo isso só porque eu quero tanto um pouco de carinho que acabei ficando com medo de não ganhar. E coitada da moça da padaria e do moço da farmácia. Porque lá vai uma garota trator. Sempre de pé, carregando seu corpo sempre no chão. Sempre com pressa, pressa de acabar logo com tudo. Para poder deitar um pouco. Para poder dividir a tristeza com a gravidade. Para parar de fingir que tudo bem andar por aí carregando essa merda dessa tristeza. Sempre de pé. Afinal, seria um pecado não ser absolutamente feliz, com tanta gente pior por aí, não é mesmo?


Tati Bernardi, A tristeza em pé

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

“Gosto de pensar que quem já morreu fica num lugar quentinho, que a gente não vê, cuidando de quem ainda não morreu.E se você quiser agradar a essa pessoa, é só fazer coisas que ela gostava. Aí ela fica ainda mais quentinha e cuida ainda melhor da gente!”


CFA
Gosto de gente que me aceita, que me atura, que não reclama de mim, ou que reclama mas continua. Gosto de gente que aceita falar de qualquer assunto, que não é fresca, gente que se sente bem ao meu lado. Gosto de gente que não me faz perguntar se estou incomodando, se preciso sair. Gosto de gente que eu não preciso chamar pra vir, que eu não preciso dizer pra ela ler no meu olhar. Gosto de quem está comigo por ser quem eu sou, de quem me ouve por horas e mesmo assim não se cansa de dar o ombro pra eu apoiar. E gosto, acima de tudo, de gente que permanece.


João Pedro Buenos, Sabedorias.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Está chovendo. Pela janela posso ver, lá embaixo, as pessoas correndo, de capas e guarda-chuvas. As árvores do parque estão todas molhadas, mais verdes. Engraçado, não gosto do meu quarto — das paredes, do móveis —, mas gosto demais das coisas que posso ver pela janela. Das coisas que estão fora dele, porque o que está aqui dentro eu acho muito parecido comigo. E eu não gosto de mim. Ou gosto? Não sei. Talvez pareça não gostar justamente porque gosto muito, então exijo demais de meu corpo, e as coisas erradas que ele faz — são tantas! — me fazem detestá-lo. A gente sempre exige mais das pessoas e das coisas que quer bem, as que queremos mal ou simplesmente não queremos nos são indiferentes.

Caio Fernando Abreu, Limite Branco.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Parece absurdo que alguém possa sofrer num dia de céu azul, na beira do mar, numa festa, num bar. Parece exagero dizer que alguém que leve uma pancada na cabeça sofrerá menos do que alguém que for demitido. Onde está o hematoma causado pelo desemprego, onde está a cicatriz da fome, onde está o gesso imobilizando a dor de um preconceito? Custamos a respeitar as dores invisíveis, para as quais não existem prontos-socorros. Não adianta assoprar que não passa.

Martha Medeiros

Para o meu queridíssimo amigo Felipe :P


Tão. Tanto.


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Me cuida.

Zé, me adota. Cuida das minhas dores e dos meus anseios. Me olha no fundo dos olhos. Enxerga minh’alma. Juro que não sou chatinha não. Não tenho frescura, não gosto das coisas tão certinhas. Não fico horas na frente do espelho mexendo no cabelo e tenho as unhas bem, bem feinhas. Sabe, Zé, tô precisando tanto de alguém que me proteja dos meus medos. Dos meus anseios. Zé, me carrega nas costas e me faz rir o riso mais doce puder. Pega a colcha de retalhos, um filme bem sessão da tarde, coloca a pipoca no forno e deixa que eu arrumo o sofá. Mergulha por entre os cobertores e me deixa deitar no teu ombro. Zé, ri da vida comigo. Me morde. Passa teu nariz na minha face fazendo dengo. Vem ser dengoso comigo, Zé, vem. Deixa eu meter as mãos por entre os teus fios de cabelo e te tocar o rosto de pele aveludada. Me deixa te olhar sem falar nada. Me deixa ver a beleza desses teus olhos verdes. Fala nada não. Fica quietinho. Zé, você é lindo. Põe - me nos braços e me chama de tua. Ai, Zé, te quero tão bem. Faz acontecer em câmera lenta. Aumenta o volume do rádio e dança o passo mais desengonçado junto ao meu pela sala. Tropeça e cai no chão. Me leva junto pro chão, Zé. Me faz cócegas e canta qualquer coisa no meu ouvido. Desafina. Afina. Sussurra. Diz que vai me proteger e não me deixa ir embora. Zé, não vai embora. Fica. Cuida de mim. Não se perde. Pega o papel e assina. Vai Zé, me adota.

RV

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Pra machucar os corações.



Para quem tem mais de 30, 35 anos, este disco pode ser uma tortura. Não, não é que seja um mau disco. Eu explico. Ou tento. É que fatalmente eu/tu/ele/nós vamos lembrar. E não estou certo se essas lembranças serão boas. Ou se seriam boas, lembradas hoje, você me entende? Porque o tempo passado, filtrado pela memoria e refletido no tempo presente – agora -, parece sempre melhor. E terá mesmo sido?

Apenas, quem sabe, porque não havia fadiga lá. Aquela fadiga que se insinua, persistente, entre o ruído das buzinas e das descargas abertas nos engarrafamentos de trânsito, todo dia. Ou essa, de atravessar mais uma vez qualquer avenida às seis da tarde para, de repente, olhar a multidão também fatigada e preguntar: mas que cidade, afinal, é esta. E que vida? A quase amável, paciente fadiga de contemplar o grande relógio das repartições e escritórios  quase imóvel na sua lentidão, a partir das cinco e a caminho das seis da tarde. Para nos despejar, novamente, nas ruas entupidas de fumaça e desejos bandidos nas esquinas, dentro de carros apertados entre outros carros ou de ônibus apinhados – até o interior dos apartamentos, com seus fantasmas emboscados, uns mortos, outros vivos. E então o acúmulo de contas atrasadas, telefonemas ansiosos, telenovelas chatas, quem sabe algum plano, certas fantasias. Outra cidade, outro país, outro planeta, outra vida que não esta – uma memória de flores no cabelo e pés descalços, pouco antes do ruído do despertador e o do meu/teu/dele/nosso coração serem os únicos audíveis dentro da escuridão onde afundamos na lama de nossos sonhos mortos.

Mas eu falava – tentava – de um disco. De John Lennon.

Ele foi gravado ao vivo, no Madison Square Garden, a 30 de agosto de 1972. Há quase, portanto, 14 anos. Você tinha quantos – 15, 20, 25? E provavelmente também imaginava que, um dia, pudesse não haver mais guerras, nem países, nem ódio entre as pessoas. Um mundo novo, não é isso? Depois houve cinco tiros nas costas, e pouco antes, durante o depois, os muros das cidades pixados com frases como “flower-power is dead”. E então uma invasão de cabelos muito curtos, quase raspados, roupas negras, couro justo: a ridicularização de tudo em que você acreditou durante tanto tempo – e largou faculdade, largou família, caiu em bandos pelas estradas para sonhar com essa coisa que não aconteceu: um mundo novo. O deboche das suas antigas – e perdidas – ilusões. Patrício Bisso só sobe no palco para cantar qualquer coisa como “bolsa peruana? Sandália indiana? Hippie! Mata”. Eu rio, você ri, ele ri – nós rimos todos juntos. E temos um sutil cuidado em evitar, no vocabulário, no vestuário, qualquer detalhe capaz de nos identificar como sobreviventes daquele tempo. Agora somos mais do que modernos: demi-darks. Não temos fé, nem esperança, nem caridade. Bebemos vodca pura, cheiramos umas. Nunca mais compramos uma caixinha de incenso. E a bad-trip pinta sem química.

Tudo isso dói tanto. Eu nunca mais tinha ouvido John Lennon. O tempo corre, a gente vai descobrindo jeitos de se proteger. Elis? Nem pensar: põe aí a Paula Toller. Marc (quem lembra?) Bolan? De jeito nenhum, melhor um Boy George, cara. Let´s Roller. It´s only rock and roll. Só que eu nem sempre sei se gosto. Mas, por trás das defesas, esse vinco no canto esquerdo da boca continua avançando, cada vez mais fundo, cada vez mais longo. Você tenta reagir, sem dizer claramente não, pelo amor de Deus, não me dá esse disco pra ouvir, eu não entendo nada de música, eu não conheço John Lennon e nunca ouvi falar em Yoko Ono. Eu não tenho tempo. Não posso parar, nem pensar, nem sentir. Nem lembrar. Eu preciso ganhar dinheiro. Tenho pressa neste passo alucinado em direção ao buraco-negro do futuro.

Mas você acaba aceitando. Agora somos profissionais. Coloca no toca-discos, como quem não quer nada. Liga a TV, ao mesmo tempo. E no meio dos sons que vêm também da rua e dos outros apartamentos, de repente aquela voz tão antiga e conhecida grita:

- Mother!

Aumente o volume. Ou desligue para sempre, você me entende?

(Publicado no Estadão, Caderno 2, Domingo, 6 de abril de 1986)




Texto de Explicações.
"Mas sei lá, não sei se toda essa coisa patética é mesmo necessária. Tô resolvendo umas coisas aqui viu, esses negócios de sentimentos demonstrados demais meio que estraga. Tô aqui aprendendo que nem todos dão valor ao que você pode oferecer, e acabar demonstrando afeto demais começa a encher o saco, e eu digo tudo isso da minha parte. Chega de ligações, preocupações, sentimentos demonstrados aos extremos. Vou ficar mais relax mesmo, não quer me ligar, não liga, mas também não ligarei. Não quer me ver, não me veja, mas também não sairei que nem doida atrás de você pra saber se a gente vai se ver, que horas é o nosso encontro, não mais. É apenas um aviso que eu deixo bem simples: se quiser, me procura você. E outro aviso que eu deixo também: isso tudo é só conversa mesmo, teoricamente falando, tá tudo certo. É quando chega na hora da prática que ferra com tudo..." 

Caio Fernando





Afinal.



domingo, 16 de dezembro de 2012

Meu novo Et de Perpétuer

O Perpétuer foi criado em março de 2010 e dez por uma quase criança - eu -, e a sua amiguinha. O nome vem de perpetuar, de eternizar. Veio de quando uma linda professorinha minha falou da importância de se eternizar contos, ensinamentos e histórias. Falando que se as histórias infantis não fossem passadas de pai pra filho desde o princípio, não chegariam até hoje. E eu senti uma grande necessidade de eternizar os meus textos, os meus pensamentos, os meus aprendizados e as minhas histórias. Não existem aqui só textos meus ou dela, mas também textos e músicas que expressam o que queríamos expressar. Começam com textos infantis, amadores e toscos, e conseguem ir até bons textos. Não nos julguem pela pouca idade ou uma visão errada, queremos apenas nos eternizar. Nunca fizemos blog para ser famoso ou conhecido, nunca caçamos seguidores, e por muitas vezes, fizemos questão de não divulgar. Pode ser que 3 pessoas leiam isso, ou 30, ou até mesmo, nenhuma. Mas quero me explicar. Nunca postei constantemente, não é sempre que posso, nem sempre que consigo, mas todo dia, todo dia mesmo eu entro no blog. E bom, recentemente aconteceu uma verdadeira catástrofe. Fui fazer um favor para o meu pai em seu celular com o meu email, e os álbuns do Picasa, o programa que grava as fotos do blog, foram apagados, e com isso, perdi todas as fotos das postagens, do plano de fundo, do perfil e da logo do blog sumiram. O blog ficou simplesmente acabado. Eu fiquei verdadeiramente muito triste e decidi abandonar de vez. Mas não deu, senti falta, pois cresci com o Perpétuer e cada postagem daqui me mostra uma fase da minha vida. Então, com muito esforço, recomecei. Sou uma nova pessoa, com novas histórias, novas experiências, novos pensamentos, novos aprendizados, e agora, com um novo blog. Que venha uma verdadeira nova (e boa) fase! 

 




terça-feira, 2 de outubro de 2012

amanhecer

vontade de viajar!../ sentindo a brisa do mar/ lavar a alma nas águas de Iemanjá/ ver a Lua cheia, de luz e encanto/ saudar o Sol quando tiver nascendo e deixar que ele entre com seus raios/ pra que fique dentro de mim uma fagulha da Luz/ e assim me renovar/ amanhecer (florescer)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O dia em que a Terra parou.

POSTAGEM ANTIGA DO DIA 11/09/2012


"Hoje eu tive um sonho de sonhador
Maluco que sou eu sonhei
Com o dia em que a Terra parou"
(Raul Seixas)

Cenas horríveis
Eu via tanta gente triste
Tantas sofrendo, com medo
No dia em que a Terra parou

Mas lá atrás
Da grande e bela ribanceira
Tanta terra limpa
Eu via tanta coisa bonita
No dia em que a Terra parou

Esqueci a minha dor
Não tinha mais aquele ardor
Me senti completamente livre
No dia em que a Terra parou

E se não voltar?
E se a Terra não rodar?
E nunca mais mudar
O dia em que a Terra parou?

Vamos sofrer?
Ou apenas parar de chover?
Com o dia em que a Terra parou?

E com a moça triste
O que há de acontecer?
Com o sofredor, com o bruxo e o trocador
O que há de acontecer 
No dia em que a Terra parou?

Se nada mais vai acontecer
Se não chorar, cair, ou sofrer
E se eles não vão mais me ver
Não quero nunca mais estar 
No dia em que a Terra há de voltar


ll
O engraçado, é que eu escrevi esse texto assim que acordei, de manhãzinha, e só depois fui descobrir que hoje é 11 de setembro.

sábado, 4 de agosto de 2012

What Dreams May Come




Sabe aquele tipo de casal nós-completamos-as-frases-do-outro? Somos nós. Não há um amante como o que eu tenho. 
Aquele, por quem eu escolho trocar o céu pelo inferno, se eu puder o ter ao meu lado. Aquele moço, a única pessoa que eu gostaria de ter ao meu lado ao atravessar o inferno. Em quem eu confio, e sei que nunca vai me decepcionar, como eu já decepcionei. E se, apenas com um riso e um abraço forte, resolvemos. Ele é humano. É quem me protege, me defende, e me guarda. Que entende a minha mente, ou tenta, com muita determinação. 
O único que me salva da minha completa loucura. Me escuta, me atura, e mesmo com a minha estranha personalidade bipolar-chorona-infantil-ignorante-madura-sensível, me aproxima. E que estranhamente, me acha a flor mais bonita do jardim. E a que ele fez questão  de cultivar em seu próprio jardim, me cuidando, me reinando, até o momento de que aquele se tornasse o nosso jardim. 
É nele que penso quando escuto “Um Caetano”. Que faz com que a noite mais feliz da semana seja aquela da partida de xadrez, apenas por estarmos juntos, e só. Ele é aquele que tem como missão do dia me botar um sorriso. E ao ouvir os meus gritos, ele apenas me abraça, e me traz a razão, ou ao amor, quem sabe?! Ninguém sabe o bem que ele me faz, ali, apenas respirando ao meu lado. Quem me fez deixar o egoísmo de lado. Me fez criar um mundo, onde mil e uma lágrimas de meus olhos quero dar, apenas para ver uma faísca de um sorriso seu.
 Há um homem que ele não conhece, nem eu. E que talvez, no futuro, conheça-o bem melhor que eu. O homem que ele virá a ser. E eu vejo esse homem, que atrai a atenção dos homens, pela sua integridade. Atrai também as mulheres, pela sua ternura e seu respeito sem fim. As mulheres gostam disso, sabe?! E também, vejo os lindos filhos que ele virá a ter. Um garotinho, com o seu sorriso, que ao olhar em seus olhos, saberá que seu pai está olhando inteiramente para dentro dele. Porque com esses seus lindos e profundos olhos, ele parece ver a eternidade. E eu espero estar lá, para ver essa cena. Não deixemos de falar também de seu lindo sorriso, capaz de iluminar uma alma completamente. A sua voz tem a ternura que levanta a vida de qualquer um. Daria tanto para ouvir essa linda voz pra sempre! 
E por tudo isso, egoistamente, o preciso do meu lado. É você que faz meu coração, Bi-bi, Bi-bi, Bi-bi, Bi-bi.. 

“O meu coração é um forte, cujo nome é Te Valorizo, e ele é teu, meu bem.”

Letícia Lima

quinta-feira, 26 de julho de 2012

‎"A fantasia é de prata e escarlate, índigo e azul, de obsidiana com veios de ouro e lápis-lazúli. A realidade é compensado e plástico, feita em barro marrom e verde oliva. Fantasia tem gosto de habaneros e mel, canela e cravo, carne vermelha rara e vinhos doces como o verão. A realidade é feijão e tofu, com gosto de cinzas no final. A realidade é os shoppings de Burbank, as chaminés de Cleveland, uma garagem em Newark. A fantasia é as torres de Minas Tirith, as pedras antigas de Gormenghast, os salões de Camelot. A fantasia voa nas asas de Ícaro, a realidade na Southwest Airlines. Por que nossos sonhos se tornam muito menores quando eles finalmente se tornam realidade?

Lemos fantasia para encontrar as cores novamente, eu acho. Para provar especiarias fortes e ouvir as canções que as sereias cantavam. Há algo velho e verdadeiro na fantasia que fala com algo profundo dentro de nós, com a criança que sonhava que um dia iria caçar nas florestas da noite, e festejar sob as colinas ocas, e encontrar um amor que dure para sempre em algum lugar ao sul de Oz e ao norte de Shangri-La.

Eles podem ficar com o paraíso deles se quiserem. Quando eu morrer, prefiro ir a Terra-Média."

- George R.R. Martin

terça-feira, 17 de julho de 2012

Canto para a minha morte


"Eu sei que determinada rua que eu já passei não tornará a ouvir o som dos meus passos. Tem uma revista que eu guardo há muitos anos e que nunca mais eu vou abrir. Cada vez que eu me despeço de uma pessoa, pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez. A morte, surda, caminha ao meu lado, e eu não sei em que esquina ela vai me beijar. Com que rosto ela virá? Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer? Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque? Na música que eu deixei para compor amanhã? Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro? Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada, e que está em algum lugar me esperando, embora eu ainda não a conheça? Vou te encontrar vestida de cetim, pois em qualquer lugar esperas só por mim. E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar. Vem, mas demore a chegar. Eu te detesto e amo morte, morte, morte, que talvez seja o segredo desta vida. Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida. Qual será a forma da minha morte? Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida. Existem tantas... Um acidente de carro. O coração que se recusa abater no próximo minuto, a anestesia mal aplicada, a vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida, o câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe, um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio.. Oh morte, tu que és tão forte, que matas o gato, o rato e o homem. Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar. Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva, e que a erva alimente outro homem como eu. Porque eu continuarei neste homem, nos meus filhos, na palavra rude que eu disse para alguém que não gostava. E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite... Vou te encontrar vestida de cetim, pois em qualquer lugar esperas só por mim. E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar. Vem, mas demore a chegar. Eu te detesto e amo morte, morte, morte, que talvez seja o segredo desta vida. Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida.."     
Raul Seixas

segunda-feira, 4 de junho de 2012

"Tu não sabes quem eu sou, mas eu sei quem tu és... e só preciso de um minuto da tua atenção.

Espero que saibas a sorte que tens. O quanto eu gostaria de estar na tua pele. Poder estar na mesma cama que ela todas as manhãs. Ajudá-la a acordar da má disposição matinal.

Espero que saibas que ela não te vai falar enquanto não lavar os dentes. Não é por mal... é por medo de perder o encanto aos teus olhos. Que a consideres um ser humano comum.
Espero que saibas que ela gosta de aproveitar cada raio de sol, e que o café a deixa mal disposta.

Que escolhe a roupa que vai vestir na noite anterior, só para poder ter mais cinco minutos de sono pela manhã. Que o despertador toca cinquenta vezes até que se levante, e que mesmo assim, consegue chegar a horas.

Quero também dizer-te que ela adora histórias do fantástico. Mas não de terror! Que é capaz de saber o nome de todas as personagens de um livro antigo, mas que não se vai esforçar para decorar o nomes de todos os teus amigos à primeira...
Porque ela... ela é que sabe de si.

Tu nunca serás uma sorte para ela. Sorte é poderes tê-la na tua vida.
Sabes? Ela não é romântica por natureza, mas uma demonstração espontânea da tua parte vai fazê-la fraquejar. Porque ela é segura e doce ao mesmo tempo.

Ela não sabe cozinhar, mas vai esforçar-se para fazer o teu prato preferido. E se não estiver bom, ela vai rir-se do falhanço, em vez de corar.

E quando ela ri... quando ela ri eu tenho vontade de chorar. Não de tristeza, mas porque cada gargalhada é como uma nota musical que toca ao coração e me faz querer dançar.

Ela é tudo o que eu queria e nunca soube que tive.

Aprende que a arritmia que sentes com ela é normal!
E que a falta dela é um vazio igual à morte.
Espero que sejas tudo aquilo que eu nunca fui.
Espero que a trates bem. Porque se lhe partires o coração vais perdê-la para sempre. 
Pudesse eu ter lido o futuro..."

quinta-feira, 17 de maio de 2012


"Amor é carta que mesmo extraviada está ora chegando e partindo, e pode cair em mãos que não as destinadas, mas onde estiverem as palavras, escritas ou caladas, onde estiverem os desejos e seus códigos postais, não importa a data em que foram selados, serão sempre cartas de amor e amores que alcançaram seus finais."
 Martha Medeiros.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Pessoas que pensam que isso é uma escolha. Pegue um segundo do seu tempo para pensar como é a sensação de acordar e não ter a força emocional para enfrentar as pessoas. Pensar que o tempo é só de passagem sem motivo real. Se sentir tão sozinha mesmo quando você está sentada numa sala cheia de pessoas. Ter de colocar uma expressão em seu rosto, que não é aquela que você está sentindo e esconder seus sentimentos, porque ninguém se importaria de qualquer maneira. Perder amigos, porque você não consegue encontrar a força para sair e você não pode estar fisicamente feliz. Chorar até dormir, esperando que você não irá acordar, até que então quando você acorda e está exausta da noite anterior e tudo começa outra vez. Você tenta esconder seus sentimentos esperando que ninguém notasse, e se você deixar escorregar tudo aquilo que tem guardado com você.. todos acabam te julgando. Agora diga-me por que alguém iria escolher isso?

sábado, 28 de abril de 2012


“Faça uma lista de grandes amigos. Quem você mais via há dez anos atrás? Quantos você ainda vê todo dia? Quantos você já não encontra mais? Faça uma lista dos sonhos que tinha. Quantos você desistiu de sonhar? Quantos amores jurados pra sempre? Quantos você conseguiu preservar? Onde você ainda se reconhece? Na foto passada ou no espelho de agora? Hoje é do jeito que achou que seria? Quantos amigos você jogou fora? Quantos mistérios que você sondava, quantos você conseguiu entender? Quantos segredos que você guardava, hoje são bobos ninguém quer saber? Quantas mentiras você condenava? Quantas você teve que cometer? Quantos defeitos sanados com o tempo eram o melhor que havia em você? Quantas canções que você não cantava hoje assobia pra sobreviver? Quantas pessoas que você ama hoje amam você?”


Oswaldo Montenegro
Porque amigo de verdade, de fato, a gente conta nos dedos..

quarta-feira, 4 de abril de 2012

"Suponhamos que eu seja uma criatura forte, o que não é verdade. Suponhamos que ao tomar uma decisão eu a mantenha, o que não é verdade. Suponhamos que eu tenha menos defeitos graves do que tenho, o que não é verdade. Suponhamos que baste uma flor bonita para me deixar iluminada, o que não é verdade. Suponhamos que eu esteja sorrindo logo hoje que não é dia de eu sorrir, o que não é verdade. Suponhamos que entre os meus defeitos haja muitas qualidades, o que não é verdade. Suponhamos que eu nunca minta, o que não é verdade. Suponhamos que um dia eu possa ser outra pessoa e mude de modo de ser, o que não é verdade."

Clarice Lispector

"Eu não quero viver longe de você. Digo, viver sem falar contigo, sem saber como foi o seu dia, o que você fez, como está se sentindo. Até porque, longe fisicamente de você eu já estou."

Caio Fernando Abreu

abriu abril

"Que abril me traga todos os sorrisos que março me roubou. Que venha com bons ventos que me traga sorte e amor, que não me deixe sofrer por favor. Que esse mês tudo dê certo."

Caio Fernando Abreu
"Mas quer saber? Eu olho pra ele e fico pensando sozinha: será que alguém nesse mundo faria o que ele faz por mim? Porque ele me escuta, me aguenta, me mima, me inspira, me faz sentir a mulher mais linda e especial do mundo. E eu acredito nele, acredito em mim e acho o amor a coisa mais egoísta que existe. A gente ama o outro por tudo aquilo o que ele nos faz sentir (e ser). É, pessoal."

Fernanda Mello

"E continuo, apesar da saudade, apesar de me sentir pela metade. Continuo, porque é o que resta. Aprendi que se a gente não levar a vida, ela nos leva de qualquer jeito."
Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 30 de março de 2012

E dia que a emoção dói seu coraç.. Que coração?

Quem gosta cuida, liga, escreve, vai atrás, procura, caça, sente falta, o peito dói e a gente dá o nome de saudade. Eu sinto saudade. Minha saudade muda, cresce, diminui, mas não some. Eu vou atrás. Eu chamo. Eu ligo. Eu escrevo. Eu sumo. Mas eu volto. Sempre. Seu sumisso me dá saudade, me irrita, me dá raiva.

"Já não acredito se você chora dizendo me amar, manhosa, tinhosa."

O clichê de sempre: mesma casa, mesmo número, mesma cara, mesma eu, mesmo eu.


terça-feira, 27 de março de 2012

.é que eu não amo ninguém.

Eu ontem fui dormir todo encolhido
Agarrando uns quatro travesseiros
Chorando bem baixinho, bem baixinho, baby
Pra nem eu nem Deus ouvir
Fazendo festinha em mim mesmo
Como um neném, até dormir

Sonhei que eu caía do vigésimo andar
E não morria
Ganhava três milhões e meio de dollars
Na loteria
E você me dizia com a voz terna, cheia de malícia
Que me queria pra toda vida

Mal acordei, já dei de cara
Com a tua cara no porta-retrato
Não sei por que que de manhã
Toda manhã parece um parto
Quem sabe, depois de um tapa
Eu hoje vou matar essa charada

Se todo alguém que ama
Ama pra ser correspondido
Se todo alguém que eu amo
É como amar a lua inacessível
É que eu não amo ninguém
Não amo ninguém
Eu não amo ninguém, parece incrível
Não amo ninguém
E é só amor que eu respiro


Cássia Eller

A Paixão Segundo G.H. I

"É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo. Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdida. Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo. Perder-se significa ir achando e nem saber o que fazer do que se for achando. Não sei o que fazer da aterradora liberdade que pode me destruir. Mas estou tão pouco preparada para entender. Mas como faço agora? Por que não tenho coragem de apenas achar um meio de entrada? Oh, sei que entrei, sim. Mas assustei-me porque não sei para onde dá essa entrada. E nunca antes eu me havia deixado levar, a menos que soubesse para o quê.

(...)

Mas por que não me deixo guiar pelo que for acontecendo? Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade.

(...)

Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar".

Clarice Lispector

domingo, 25 de março de 2012

"Era engraçado, porque toda vez que ele me fazia rir ou sorrir, eu sentia uma vontade incontrolável de explicar pra ele o quanto eu o amava."

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

“E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.”
1 Coríntios 13:2

Pais e Filhos

Estátuas e cofres e paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu.
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender.

Dorme agora,
é só o vento lá fora.

Quero colo! Vou fugir de casa!
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo, tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três.

Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito.

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há.

Me diz, por que que o céu é azul?
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos
Que tomam conta de mim.

Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar.

Já morei em tanta casa
Que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais.

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há.

Sou uma gota d'água,
sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não te entendem,
Mas você não entende seus pais.

Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser,
Quando você crescer?
Legião Urbana

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

"Quando tá tudo indo bem, eu sempre tenho a sensação de que alguma coisa, no fundo, tá muito errada. Sei lá, é como se um relacionamento saudável fosse impossível no meio dessa merda toda, e quando eu não posso ver os erros, eu fico com essa certeza de que estou sendo enganada. E fico procurando, investigando, revirando o mundo pra encontrar os vacilos, mentiras, motivos pra terminar. Percebe a loucura? É como se ninguém pudesse me amar e ponto, de tanto colarem o adesivo de ‘trouxa’ na minha testa, qualquer carinho me parece suspeito. Percebe a tortura? Fico oscilando entre confiar e desconfiar, querendo viver uma história leve e sempre me afundando nas minhas neuroses e cicatrizes. E homem nenhum aguenta isso, homem nenhum percorre meu labirinto até o fim. Mas como eu poderia me entregar, sem antes saber se posso ir inteira? Como posso confiar de novo, sem saber se vai ser realmente diferente? Quero alguém que rompa meus lacres, não que me lacre mais! E sigo estragando tudo, só pra não ficar pior depois. Quando eles finalmente se cansam e caem fora porque eu sou louca de pedra, eu fico satisfeita. Volto pra fossa por um tempo, sem mistérios, já conheço bem o lugar e a porta de saída. E penso “Viu, sabia que eu tava certa”. Talvez eu até esteja errada, mas que se dane. Se uma pessoa não tem paciência nem pra conquistar minha confiança e afastar meus medos, o que eu posso esperar então? Sou quebra-cabeça de 500 mil peças, quem não tiver capacidade, tenta um jogo mais fácil. Eu supero e agradeço."

Quebra-cabeça, Tati Bernardi.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

“Dentro dos meus braços os abraços hão de ser milhões de abraços apertado assim, calado assim, colocado assim. Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim. Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim. Não quero mais esse negócio de você tão longe assim. Vamos deixar desse negócio de viver longe de mim?”

Vinícius de Moraes

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar, mas se o destino insistir em nos separar; danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas, os buzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos, sinopses, espelhos, conselhos, que se dane o evangelho e todos os orixás, serás o meu amor, serás a minha paz.
Chico Buarque, Dueto.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

E tem o seguinte: não vou enlouquecer, nem me matar, nem desistir. Pelo contrário: vou ficar ótima, e atrapalhar bastante ainda.
Eu vou começar uma nova coisa! Estou passando por algumas "coisas", e partes de músicas são capazes de descrever isso. Então eu decidi que eu vou postar todas as frases que eu escutar e "me sentir". Também tem outra coisa, tenho um professor de inglês que toda aula, antes de começar, ele coloca uma citação no quadro e lê um texto pra turma que passa a mesma mensagem da citação. Ele diz que faz isso porque queria que alguém tivesse feito por ele, e eu realmente ando muito agradecida porque as citações/textos me fazem muito bem, então sempre que ele ler algo que me faça bem eu vou colocar aqui.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

sábado, 28 de janeiro de 2012

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama. Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado. Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se. A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também? Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois. Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. “Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho”. Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. “Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato.” Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta. Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.
Martha Medeiros
Eu sei, é lindo. Mas logo em seguida, quando penso em quão longe você está sinto-me despedaçar por inteiro. Sabe a sensação de arrancar um doce de uma criança? Pois é, sou essa criança. E dói. Uma dor que único remédio é a sua presença. Então sigo assim, penso em você, sorrio, sofro e rezo, peço pra Deus cuidar da gente, amenizar essa dor e trazer logo a minha cura.
Caio Fernando
Se a realidade te alimenta com merda, meu irmão, a mente pode te alimentar com flores.
Caio Fernando