quinta-feira, 30 de junho de 2011

Encarnação Involuntária

Clarice Lispector, ahh.. Clarice
Às vezes, quando vejo uma pessoa que nunca vi, e tenho tempo para observá-la, eu me encarno nela e assim dou um grande passo para conhecê-la. E essa intrusão numa pessoa, qualquer que seja ela, nunca termina pela sua própria auto-acusação: ao nela me encarnar, compreendo-lhe os motivos e perdôo. Preciso é prestar atenção para não me encarnar numa vida perigosa e atraente, e que por isso mesmo eu não queira o retorno a mim mesmo.


Um dia no avião…ah, meu Deus – implorei – isso não, não quero ser essa missionária!

Mas era inútil. Eu sabia que, por causa de três horas de sua presença, eu por vários dias seria missionária. A magreza e a delicadeza extremamente polida da missionária já haviam me tomado. É com curiosidade, algum deslumbramento e cansaço prévio que sucumbo à vida que vou experimentar por uns dias viver. E com alguma apreensão, do ponto de vista prático: ando agora muito ocupada demais com os meus deveres e prazeres para poder arcar com o peso dessa vida que não conheço – mas cuja tensão evangelical já começo a sentir. No avião mesmo percebo que já comecei a andar com esse passo de santa leiga: então compreendo como a missionária é paciente, como se apaga com esse passo que mal quer tocar o chão, como se pisar mais forte viesse prejudicar os outros. Agora sou pálida, sem nenhuma pintura nos lábios, tenho o rosto fino e uso aquela espécie de chapéu de missionária.

Quando eu saltar em terra provavelmente já terei esse ar de sofrimento-superado-pela-paz-de-se-ter-uma-missão. E no meu rosto estará impressa a doçura da esperança moral. Porque sobretudo me tornei toda moral. No entanto quando entrei no avião estava tão sadiamente amoral. Estava, não, estou! Grito-me eu em revolta contra os preconceitos da missionária. Inútil: toda a minha força está sendo usada para conseguir ser frágil. Finjo ler uma revista, enquanto ela lê a Bíblia.

Vamos ter uma descida curta em terra. O aeromoço distribui chicletes. Ela cora mal o rapaz se aproxima.

Em terra sou uma missionária ao vento do aeroporto, seguro minhas imaginárias saias longas e cinzas contra o despudor do vento. Entendo, entendo. Entendo-a, ah, como a entendo e ao seu pudor de existir quando está fora das horas em que cumpre sua missão. Acuso, como a missionariazinha, as saias curtas das mulheres, tentação para os homens. E, quando não entendo, é com o mesmo fanatismo depudorado dessa mulher pálida que facilmente cora à aproximação do rapaz que nos avisa que devemos prosseguir viagem.

Já sei que só daí a dias conseguirei recomeçar enfim integralmente a minha própria vida. Que, quem sabe, talvez nunca tenha sido própria, se não no momento de nascer, e o resto tenha sido encarnações. Mas não: eu sou uma pessoa. E quando o fantasma de mim mesma me toma – então é um tal encontro de alegria, uma tal festa, que a modo de dizer choramos uma no ombro da outra. Depois enxugamos as lágrimas felizes, meu fantasma se incorpora plenamente em mim, e saímos com alguma altivez por esse mundo afora.

Uma vez, também em viagem, encontrei uma prostituta perfumadíssima que fumava entrefechando os olhos e estes ao mesmo tempo olhavam fixamente um homem que já estava ficando hipnotizado. Passei imediatamente, para melhor compreender, a fumar de olhos entrefechados para o único homem ao alcance da minha visão intencionada. Mas o homem gordo que eu olhara para experimentar e ter a alma da prostituta, o gordo estava mergulhado no New York Times. E meu perfume era discreto demais.

Falhou tudo.

É de lágrima.

A lágrima
Cada um com seu pranto e em cada canto uma canção qualquer.
Os dedos trêmulos trovejaram de desejo e de dor
...e o que foi um dia de sol gelou o vento manso vindo do nordeste...
e borbulhou de contentamento...
...e virou saudade...
depois de tudo respirei, fechei os olhos
e
.chorei.

Carolina Morais (Desmondier)


quinta-feira, 23 de junho de 2011




Vou me afastar.
Não comia, não dormia, não ria, não tinha a menor idéia do que fazer da vida. Tentei terapia, ioga, curso de artes plásticas, budismo, cartomante, centro espírita. Nada adiantava. Eu não conseguia encontrar uma razão para viver ou um alento para sobreviver. A única coisa que eu fazia era chorar o dia todo porque o tal do garoto perfeito não queria saber de mim.
Tati Bernardi

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Férias


Começou!
a liberdade sem culpa de adiar as coisas que não queremos fazer
o descanso que - por incrível que pareça - nos deixa mais cansados do que antes
chegou a hora de possivelmente engordarmos uns quilinhos, espero não
de farreamos ou na balada ou vendo um filminho bom
começaram as férias, as quais pedi tanto nestes últimos meses.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

"Certo dia me perguntaram: Por que você se apaixonou? Eu repondi: Não sei. E talvez continue não sabendo. Eu simplesmente amo, acordo e vou dormir com ele nos meus pensamentos.”
— Caio Fernando Abreu

domingo, 12 de junho de 2011

Alice no País das Maravilhas

Bom gente, quem não sabe vai saber agora, eu estou em cartaz com a Cia. Plural de Artes Cênicas com o espetáculo Alice no País das Maravilhas! Todos os finais de semana de junho no SESC Emiliano Queiroz. A peça é bem divertida, bem leve, classificada como Infantil mas com certas piadinhas que só os mais velhos entendem!
Está sendo muito cansativo ficar em cartaz, mas sabe, é bem divertido! É muito bom se envolvendo com arte, principalmente se envolve criança! Tão bonitinho a gente lá no palco, brincando de faz de conta e um mooonte de criancinhas rindo e se divertindo com a nossa brincadeirinha! Melhor ainda é quando seu esforço é reconhecido. Sábado, dia 11, o dono de um dos mais respeitados blogs de educação (Professor Djacyr) foi assistir a nossa peça e logo depois postou uma crítica no blog, uma crítica que eu vou mostrar pra vocês agora:
Eu gostei da crítica=D A verdade é essa mesma, a nossa peça é bem feliz! E traz uma lição bem legal, vale a pena conferir!

terça-feira, 7 de junho de 2011











Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Com cuidado, com carinho grande, um abraço forte e um beijo.

(CFA)

domingo, 5 de junho de 2011