quinta-feira, 24 de junho de 2010

Silêncio




"Meus olhos, minha cor perdida, meu pasmo, meu silêncio por mim falam, e não dizendo nada, digo tudo" (Estevão Rodrigues de Castro)


Se me calo,se fico só, é como se permitisse todos os demônios virem a tona. Como se uma febre invadisse o corpo. Se me calo , é como me conformar,me reconfortar. Sentir a guerra se iniciar dentro de mim. Se tenho que calar-me, por uma obrigação qualquer, descompassadamente o pensamento invade o dia. E já não existirá hora tranquila, nem pensamento vazio. Tudo será tomado por uma espécie de desespero momentâneo. Como se a vida fosse acabar no próximo segundo. Como se o tempo fosse me matar na próxima virgula. Sinto a vida esvair-se. Mas, me calo por medo de te ferir, e por isso, dentro de mim mesma me corto inteira. Despedaço. Porque é muito mais fácil refazer-me depois com o tempo. Não saberia fazê-lo por ti. Não deveria eu temer tanto te perder. Porque se me calo e me perco. Vejo que você não faria o mesmo pra deixar de me perder.

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