quinta-feira, 21 de maio de 2015

14

Amor não foi, mas invenção
pois te queria de ouro
enquanto eras de barro, águas,
tintura fria, verniz.

De ouro fui eu, o meu invento
em diamantes, rubis, águas-marinhas
engastadas no meu corpo
que nunca foi tão belo. E tão inútil.

Não sei se foi o tempo,
o vento norte, o sol impiedoso dos verões
que pouco a pouco te partiu em cacos.

A chuva te desfez. Restou a lama.
De mim, um brilho falso. Imitação.
Quinquilharias.

16 de dezembro de 1980


Caio Fernando Abreu
(Poesias nunca publicadas, 2012)


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