domingo, 31 de maio de 2015

XIV.

Me falta tempo para celebrar teus cabelos. 
Um por um devo contá-los e elogiá-los: 
outros amantes querem viver com certos olhos, 
eu só quero ser teu cabeleireiro. 
Na Itália te batizaram de Medusa 
pela arrepiada e alta luz de tua cabeleireira.
Eu te chamo de minha travessa emaranhada:
meu coração conhece as portas de teu pêlo. 
Quando te extravias em teus próprios cabelos, 
não me olvide, lembra que te amo, 
não me deixe perdido partir sem tua cabeleireira 
pelo mundo sombrio de todos os caminhos 
que só tem sombra, de dores transitórias, 
 até que o sol suba a torre de teus pêlos.




 Pablo Neruda

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