quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

07.02


É como se eu tivesse medo de viver a realidade.
Eu procuro estar anestesiada.
A menina que disse sentir o mundo.
Estou olhando para o mar, deitada em uma rede, ao lado das árvores, 
e eu ainda não consegui tirar os óculos escuros. 
O momento.
Nunca no momento.

Parece que tem um buraco vazio no meio dos meus peitos. 

Buraco negro, tudo e nada.
Eu percebo o início das sensações. 
O início da alegria, o início da dor. 
Eu sei que elas estão aqui, em algum lugar, mas elas nunca chegam.
Me preencho, então, de alimentos e momentos falsos.
Eu tão sensação, sendo enganada por essa criança que quer 
tapar o buraco negro com uma folha de papel, pensamento. 

Há muita dor.
Há muita dor.
Há muita dor.
Mas ela não chega.
Não há riso, não há vida, não há realidade.

Será que posso dizer que sinto algo? 

Vejo o mar, no meio do furacão. 
Só hoje, o furacão. 
Eu cheguei.
Enxergo, sei que sou eu, mas não consigo alcançá-lo.
Eis que ele me busca, um resgate. Tenta.
Não consigo encontrar.
Respiro mas não pareço respirar.
Mastigo mas nada tem gosto.
Leio a poesia.
Enxergo, seu que sou eu, mas não consigo a
alcança-la.
Me busca, poesia. Me encontra.
Eu tenho medo.
Eu tenho o vazio.
Eu não consigo respirar.

Letícia, Real Oceano. Eu não quero estar congelada.

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