terça-feira, 27 de setembro de 2016

fortaleza, tanto de tanto de dois mil e tanto



eu poderia morar em nossos encontros
eu poderia narrar todos os nossos momentos em palavras infinitas
eu poderia nos eternizar nas incontáveis sonatas
mas toda poesia, para ser bela, precisa ter um final

nós não somos perpétuos se não no momento
fomos

guardo de ti a mágoa de me fazer duvidar do real
da tristeza da deserção
das conversas não respondidas

guardo em mim toda a beleza que enxerguei em nós
e nos céus dos domingos
e isso você não pôde tirar de mim

em nossa despedida,
o mar guardou o corpo perpétuo e
a casa com as setenta mil plantas
guardará?

lamento amargamente apenas por não saber a quem endereçar
mais essa carta extraviada
mais essa que nunca chegará.

letícia lima.
.perpétuer.


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