domingo, 28 de novembro de 2010

Espaços Vazios.

Quando chego em casa há sempre um sorriso cativante a me receber, que por mais abalado que eu esteja esse sorriso acolhedor me abraça e me acalenta. Está sempre lá, aqueles espaços preenchidos, preocupados comigo, e naquela rotina frenética sabia que estava bem.
Mas o tempo... estragou meu jantar, afastou meus amigos, destruiu meus amores, comeu minhas juntas, levou minha vitalidade, acabou com meus livros e tudo o tempo leva embora, leva ao chão, o pó retornando ao pó.
Agora quando chego em casa em minha solidão... estar vazio... olho para os lados e o que me resta? Onde estar o sorriso? Nessa rotina frenética esqueci de perceber que enquanto passava pela a vida o tempo realizava seu trabalho, trabalho esse que nunca fica inacabado.
Percebo agora cada espaço vazio ao meu redor, prova de que o tempo sabia o que estava fazendo, e cada espaço agora vazio levou um pedaço que era meu, que direito tinha tempo de levar pedaços meus, que direito tinha ele de me deixar tão vazio quanto os espaços antes ocupados e aconchegantes?
Espaços vazios é tudo que me resta, mas não consigo lembrar, esforço minha memória até as lágrimas escorrerem como um rio sem fim, um rio Nilo, vermelho, vermelho de sangue, como uma das pragas, mas não lembro, não consigo lembrar daquele sorriso, dos rostos que estavam sempre a minha espera, do calor, tudo estar tão vazio e frio, como uma pedra. Agora tudo que me resta são espaços vazios.
Augusto Reis

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